O difícil trabalho do resgate de animais em Brumadinho

Voluntários não devem se dirigir ao local, doações não serão aceitas. Entenda os motivos

A mobilização de veterinários no sentido de ajudar o resgate de animais vítimas da tragédia em Brumadinho é enorme, contudo, Bombeiros e Defesa Civil orientam médicos veterinários e zootecnistas voluntários para não irem à Brumadinho.

A NetVet conversou com Abílio Domingos, presidente da Anclivepa-MG, hoje (28) pela manhã.  Abílio explicou os motivos pelos quais os voluntários não devem se deslocar para a região e deu mais detalhes da operação de resgate dos animais.

NetVet: Qual é a participação do CRMV-MG e da Anclivepa Minas nesse trabalho que está sendo realizado em Brumadinho?

Abílio:  Tudo aconteceu muito rápido. Assim que soubemos da catástrofe, nos mobilizamos para definir de que maneira poderíamos ajudar. Aqui em Minas Gerais, o CRMV e a Anclivepa sempre trabalharam juntos. Além disso, já tínhamos realizado um trabalho em conjunto com o Corpo de Bombeiros na semana anterior ao rompimento da barragem. Assim, conseguimos agir rapidamente e em poucas horas já tínhamos nossa primeira equipe montada.

Esta equipe se dirigiu ao local imediatamente, com o objetivo de coordenar os resgates de animais. Outra ação importante foi a criação de um cadastro de profissionais, clínicas e hospitais, que se prontificaram a receber os animais resgatados. Basicamente, temos um braço do Conselho que está trabalhando no local, e outro que trabalha para receber qualquer animal proveniente da área da barragem.

NetVet: Como você descreve o impacto dessa tragédia para os animais silvestres, de produção e de companhia que foram atingidos por este desastre ambiental?

AbílioAinda não sabemos o tamanho e extensão do impacto. O que eu consigo te falar de concreto hoje é que a maioria dos animais resgatados, não todos eles, são animais do entorno, não necessariamente do local. Não há como avaliar os animais que estão na lama. Não temos números precisos. O fato é que o local é extremamente inóspito, o risco de nova ruptura é eminente, e portanto, o acesso é muito restrito. Só para você ter uma ideia, ontem até a parte da tarde não houve busca de ninguém, nem de seres humanos e nem de animais, porque não permitiam realizar a busca por conta do risco de rompimento da outra barragem.

NetVet: A Dra. Ana Liz, uma das veterinárias que trabalha no local do desastre, usou as redes sociais para pedir às pessoas que desejam trabalhar como voluntários, não se dirigirem ao local, justamente pelo risco que estariam correndo. Quais são exatamente estes riscos?

Abílio: O risco não é só pela ruptura da outra barragem, que era considerado o fator mais importante até ontem (27) a tarde, mas o risco também do próprio local. A lama é muito lisa e a pessoa afunda ao pisar, como se fosse uma areia movediça. Não é um trabalho para amadores. Apenas profissionais treinados podem desempenhar esta tarefa com segurança. 

O mais difícil é controlar o ímpeto destas pessoas. Todos estão querendo nos ajudar, o Brasil inteiro está ajudando, mas entendemos que o trabalho de resgate pode colocar vidas em risco também. É difícil aceitar, mas temos realmente que aguardar.  

NetVet: Temos visto uma mobilização enorme nas redes sociais de veterinários, protetores e pessoas em geral querendo ajudar de alguma maneira. Começaram a aparecer as "vaquinhas digitais" com objetivos de angariar fundos. Pedidos de medicamentos se multiplicam na internet. Qual a orientação da Anclivepa para estas pessoas?

Abílio: As doações de medicamentos e outros produtos já foram encerradas. O volume recebido de insumos e todos os outros aparatos já é mais do que suficiente. Não temos mais local adequado para armazenar esse volume tão grande de doações.

Estamos desencorajando a doação de dinheiro, quer seja enviando dinheiro ou participando das tais "vaquinhas digitais". Todos os custos serão arcados pela Companhia Vale do Rio Doce. O próprio Ministério Público pediu para que não houvessem mais doações de valores. Várias pessoas se propuseram a doar valores razoavelmente altos, mas estamos dispensando qualquer tipo de doação, ou seja, doações não serão aceitas.

O que acontece é que já estamos com a equipe mobilizada, clínicas, faculdades, hospitais veterinários, todos esperando para receber pacientes, mas o volume de animais que já recebemos é muito baixo devido as características do acidente. Além disso, voluntários que estão vindo de fora, podem na verdade trazer mais problemas do que solução.

A equipe aqui é suficiente e se houver necessidade, temos condições de mobilizar novos voluntários rapidamente. São centenas de veterinários cadastrados em nossos bancos de dados, prontos para se unirem ao grupo de voluntários. Mas por enquanto, até segunda ordem, não é necessário. A recomendação é que não haja deslocamento para Belo Horizonte, muito menos para Brumadinho.

Saiba mais...

CRMV-MG. Bombeiros e Defesa Civil orientam para médicos veterinários e zootecnistas voluntários não irem em Brumadinho 

CRMV-MG. Rompimento de barragem. CRMV-MG e Anclivepa Minas planejam ações no desastre de Brumadinho

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